Estava eu, em plena aula de português com a professora Fátima. Ninguém estava ali de verdade, nem sequer enxergávamos ela. Era pra ser mais um dia de aula normal e cansativa do tipo que te tira o couro e você não entende bolhufas. Então ela conseguiu nossa atenção: estava entregando as provas trimestrais de física. Fiquei em recuperação, como sempre. E, como sempre, eu já sabia disso. Pareceu-me que ela percebeu o meu desinteresse na nota final, deixando de entregar a minha prova. Assim sendo, me retirei.
Sai pela janela que ficava ao lado do lugar que estava. Havia deixado minha bolsinha embaixo da classe, quando todos - incluindo a professora - começaram a me chamar e a gritar "Esqueceu a tua bolsa!". Muito bem, voltei e percebi que a minha bolsinha era azul. Não tenho bolsinhas azuis. Em todo o caso, só queria ir embora mesmo. E fui.
O colégio naquele dia parecia muito um clube que eu fui uma vez. Chão batido, alguns poucos animais soltos. Então dou de cara com a vice-diretora. Alta, cabelo curto, loira, magérrima. Quase um sargento. Cumprimentei e perguntei pra onde ela estava indo.
- Pra lá.
Então perguntei se, já que era caminho, ela não poderia abrir o portão pra eu ir embora. Ela aceitou.
Fomos felizes e saltitantes - sem dar um pio - até um outro portão, que não o de saída. A vice-diretora parou e acenou. Estava a diretora mais à frente, esperando uma caminhonete pequena, feia, suja, descascada e branca que se aproximava. O motorista não conseguia fazer a manobra certa pra passar. Até eu dei palpite pra ele tentar e quando vi que não ia dar em nada e que já tinham duas mulheres tentando ajudá-lo, fui pra minha casa.
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