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terça-feira, 18 de maio de 2010

Sangue

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Eu estava ajudando um médico a fazer exames de sangue. A primeira paciente tinha uma filha e eu lembro que colocamos ela - a paciente - deitada numa mesa igual as de necrotério, de metal. Tirávamos amostra de sangue a vácuo. O que acontece, é que algumas amostras estavam contaminadas. 

Essa mulher estava bem doente: parecia febril, pálida e fraca e depois dela atendemos algumas outras. Não haviam pacientes homens ou crianças.
Depois de umas duas ou três pacientes, nós começamos a colher algumas amostras e aplicar outras. Numa dessas vezes, aplicamos um sangue doente e a mulher começou a se debater, salivar e gritar. Tivemos de amarrá-la na mesa. Isso ocorreu algumas vezes, até desistirmos.
Então eu sai. Estava indo pra um shopping, que ficava na frente de um supermercado. Atravessei a primeira avenida, do lado de cá do shopping. Era iluminada, barulhenta, movimentada, contrastando com a do lado de lá que era escura, silenciosa, parada, vazia. Haviam muitos carros, todos apagados como se as pessoas tivessem abandonado eles ali durante um sinal vermelho.

Segui meu caminho. Passei por uma praça com várias figuras diferentes, era quase outro mundo. Não fazia mais sentido pra mim. 
Entrei em uma garagem de um prédio aleatório. Havia um cara nu andando de um lado pro outro, gordo, peludo e velho. As pernas eram magras e finas, espremidas em botas femininas pretas, de couro, que cobriam as nádegas. Lembro que encontrei meu irmão e quando passamos por esse homem, ele ficou excitado e implicou com o meu irmão. Além de gordo, peludo e velho, era calvo também.